sábado, 7 de setembro de 2024

POTES DE LUZ

       Há muito tempo, numa pequena ilha chamada Moloka’i, morava uma velhinha maravilhosa. Ela se chamava Kaili’ohe Kame’ekua. Quando ela morreu, em 1931, tinha mais de 100 anos. A vovó Kame’ekua e sua família contavam muitas histórias às crianças e também ensinavam a elas antigos cânticos e parábolas. 

        Uma das histórias mais importantes para a família dizia assim: Cada criança nasce com uma vasilha de luz perfeita. Se a criança cuida bem da sua, a luz cresce e se intensifica, o que lhe permitirá realizar proezas incontáveis, como nadar com os tubarões e voar com os pássaros. No entanto, existem elementos negativos que se infiltram na vida da criança...

        Há feridas, invejas, irritações, dores...

        Essas feridas, irritações e dores são como pedras que vão caindo no fundo da vasilha. Quando se acumulam, elas acabam escondendo a luz. A criança pode se transformar em pedra e se sentir presa. A luz e as pedras não podem ocupar o mesmo espaço.

        A vovó Kame’ekua concluía que a única coisa que a criança precisava fazer para que a luz voltasse a brilhar era virar a vasilha e esvaziá-la, porque a luz jamais desaparece. Ela se esconde embaixo das pedras, mas está sempre ali.

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