Hoje acordei pensando em você — não no sentido de posse, mas no de presença.
Há flores que a gente arranca porque quer perto, quer para si, quer no vaso da sala, mesmo que acabem mortas.
Mas há outras que a gente aprende a amar de longe, porque entende que a beleza delas depende da liberdade. Você é desse segundo tipo.
Descobri que amar não é fechar a mão; é abrir espaço. Não é arrancar a flor para exibir; é regar o jardim para que ela floresça onde escolheu estar.
Gostar é impulso: um brilho rápido, uma vontade imediata. Amar é constância: o gesto repetido, o cuidado silencioso, a paciência de quem sabe que tudo tem seu tempo.
E se um dia o vento te levar para longe, ainda assim terei aprendido algo precioso: que a vida não é sobre colecionar flores, mas sobre cultivar jardins — e que algumas flores, mesmo sem pertencerem a mim, mudam para sempre o meu jeito de cuidar.
Com carinho, alguém que aprendeu a regar e a abrir uma janela na alma.
Nota do autor: este texto não se dirige a ninguém em particular. É apenas um devaneio filosófico, uma deriva de pensamentos que resolveram passear por aqui, um breve exercício de filosofia em voz baixa. Não é um recado, nem uma indireta