sexta-feira, 19 de junho de 2026

A FLOR QUE DEIXEI VOAR

    Hoje acordei pensando em você — não no sentido de posse, mas no de presença.

    Há flores que a gente arranca porque quer perto, quer para si, quer no vaso da sala, mesmo que acabem mortas.

    Mas há outras que a gente aprende a amar de longe, porque entende que a beleza delas depende da liberdade. Você é desse segundo tipo.

    Descobri que amar não é fechar a mão; é abrir espaço. Não é arrancar a flor para exibir; é regar o jardim para que ela floresça onde escolheu estar.

    Gostar é impulso: um brilho rápido, uma vontade imediata. Amar é constância: o gesto repetido, o cuidado silencioso, a paciência de quem sabe que tudo tem seu tempo.

    E se um dia o vento te levar para longe, ainda assim terei aprendido algo precioso: que a vida não é sobre colecionar flores, mas sobre cultivar jardins — e que algumas flores, mesmo sem pertencerem a mim, mudam para sempre o meu jeito de cuidar.

    Com carinho, alguém que aprendeu a regar e a abrir uma janela na alma.

Nota do autor: este texto não se dirige a ninguém em particular. É apenas um devaneio filosófico, uma deriva de pensamentos que resolveram passear por aqui, um breve exercício de filosofia em voz baixa. Não é um recado, nem uma indireta

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