O silêncio pesou entre os dois, quebrado apenas pelo som distante do trânsito. Um deles girava o copo esquecido sobre a mesa, os olhos fixos no reflexo do próprio cansaço.
— Perdi tanto tempo... — desabafou, a voz quase um sussurro, carregada de um arrependimento antigo.
O amigo, que até então apenas observava, não titubeou. Deixou o próprio copo de lado e cravou o olhar nele:
— E vai gastar o resto que te sobra lembrando disso?
Houve uma pausa, mas o amigo não deu espaço para justificativas. Continuou, a voz firme, cortante como um aviso necessário:
— O único tempo que ainda importa é aquele que você não viveu. Me diz: quanto mais tempo você quer perder olhando para trás em vez de dar o próximo passo?
O outro abriu a boca para rebater, mas as palavras pareceram travar na garganta.
— Pior do que perder tempo é continuar preso nele — o amigo finalizou, arrastando a cadeira.
Ele se levantou, pegou o celular de cima da mesa, aproximou-o da maquininha do garçom que passava e esperou pelo bipe rápido que confirmava o pagamento. Estava pronto para ir embora.
Deu dois passos em direção à saída, mas parou momentaneamente. Olhou por cima do ombro, lançando um último olhar, desprovido de pena, mas cheio de urgência:
— Você perdeu tempo mesmo. Não vou te dar tapinha nas costas e mentir. Mas se não se mexer agora, vai perder o resto também. Faça valer o que sobrou.
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ResponderExcluirLinda reflexão! Às vezes precisamos ouvir verdades assim para entender que ainda há tempo para recomeçar e fazer diferente. Parabéns pela sensibilidade do texto meu amigo Plinio 👏🏻👏🏻😁✨✨✨
ResponderExcluirPlínio, obrigada pela reflexão✨ protejo minha Esperança vivendo o presente, reorganizando as ações no tempo.
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